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Como deve o atleta fazer a prevenção das lesões no basquetebol?

Prevenção das lesões


O basquetebol sempre foi considerado um jogo de precisão, de agilidade, de exatidão e de ritmo. A prática do basquetebol exige habilidades específicas contempladas em ações rápidas e precisas, que estabelecem constantes mudanças de posição do corpo e contato com o adversário durante a partida. As exigências físicas e a busca do aperfeiçoamento fazem com que os treinos se tornem mais intensos e fatigantes. Desta forma, é natural que os atletas de basquete estejam altamente suscetíveis a lesões.


Como deve o atleta fazer a prevenção de lesões no basquetebol?


A prevenção das lesões de carácter traumático agudo, deve fazer-se respeitando as normas gerais e as limitações pontuais da modalidade; o aquecimento antes do treino ou do jogo; um regular programa de estiramento musculo-tendinoso em associação a um treino propriocetivo global dos membros inferiores.


A prevenção das lesões de sobrecarga baseia-se sempre na adaptação do morfotipo do basquetebolista à modalidade, em conjunto com uma permanente adequação do seu equipamento. O apropriado balanço hidro-electrolítico, sustentado por um programa estruturado de hidratação para os períodos de treino, de prova e repouso, é relevante para ajudar a minimizar o estabelecimento de lesões de sobrecarga.


O jogador basquetebolista deve dar sempre atenção a sinais de alarme como: dor ou desconforto durante o treino, jogo ou mesmo em repouso, perturbações da respiração, tumefação ou rigidez articular, já que são sinalizadores de uma eventual lesão. O diagnóstico precoce de uma lesão de sobrecarga num atleta, será sempre determinante para uma recuperação de sucesso e consequentemente para a redução da morbilidade da mesma.


Como deve o atleta fazer a prevenção de lesões no basquetebol?

Métodos que ajudam a prevenir lesões


Muitas lesões desportivas podem ser evitadas se os atletas tomarem algumas precauções e nós Fisioterapeutas dedicamos cada vez mais tempo de estudo e trabalho ao tema da prevenção. Queremos com isto, trabalhar os pontos mais fracos dos atletas, criar uma boa base estrutural e minimizar os fatores de risco.


No inicio de cada época, na fase pré-competitiva, o ideal, seria cada basquetebolista ser submetido a um exame físico detalhado e a uma avaliação funcional de modo a ser criado um plano de prevenção de lesão individual, uma vez que nem todos os atletas vão necessitar de trabalhar e/ou desenvolver as mesmas articulações e ou capacidade.


Nos dias de hoje é de máxima importância delinear um programa de conduta preventiva, ou reabilitativa e que vá sendo atualizado durante toda a época.


Se possível, a equipa técnica (Treinador, Fisioterapeuta e Preparador Físico) deverão, em conjunto, planear os ciclos de treino tendo em conta a altura da época desportiva, de forma a desenhar um treino “inteligente” para uma melhoria do fortalecimento, desempenho muscular, mobilidade e propriocetividade. Deverá posicionar-se como um compromisso diário para os profissionais e de desenvolvimento regular para as equipas amadoras. O treino deve então conter momentos conjuntos de prevenção de lesões, onde semanalmente se deve incluir treinos de força, treinos de mobilidade articular e treinos de proprioceção, que como já vimos anteriormente são os nossos 3 grandes aliados para prevenir lesões.


Métodos que ajudam a prevenir lesões

Atualmente em qualquer desporto os melhores são verdadeiros atletas, dedicando igual tempo de treino às componentes técnicas da modalidade às suas capacidades físicas e skills, e cada vez mais, o nosso trabalho passa por orientar o atleta para o treino fora de campo e reforçar a importância de todos estes fatores que fazem a diferença e os tornam melhores e mais bem preparados.


Portanto um treino bem planeado será fundamental para a prevenção de lesões, deve integrar de forma adequada a preparação física, a técnica e o desenvolvimento tático, deve ainda apresentar os cuidados necessários com as sobrecargas e intervalos de recuperação necessários ao bom rendimento do atleta, pois não respeitar os conceitos básicos, pode levar a fadiga muscular que acarretará queda de rendimento e até possível lesão.


Trabalho Propriocetivo


O trabalho propriocetivo visa a recuperação de equilíbrio e de estabilidade, no decorrer dos gestos desportivos e é de enorme importância na prevenção das lesões podendo ser aplicado desde os escalões mais jovens.


Existem dois tipos de proprioceção: estática e dinâmica. A primeira é a perceção consciente da orientação das diversas partes do corpo entre si, a segunda é o sentido da velocidade do movimento, sendo também chamada de cinestesia.


Além disso, ainda pode ser consciente e inconsciente. A consciente é a informação que chega ao córtex cerebral e que permite saber como está o segmento corporal no espaço. A inconsciente é aquela proveniente do arco reflexo impercetível e dos seus trajetos corticais específicos, sendo realizada pelo fuso muscular (por exemplo, contração muscular).


O programa de exercícios propriocetivos, para compor um trabalho propriocetivo preventivo, deve ter exercícios dinâmicos, multidirecionais e específicos para cada desporto. Estes exercícios trabalham principalmente com componentes da estabilidade dinâmica das articulações (unidades músculo-tendinosas) que mantém os membros e as articulações estáveis durante os movimentos.


É muito importante frisar que o treino dos gestos técnicos (lançamento, passe, salto e receção e a própria corrida) é de extrema importância na prevenção das lesões e deve ser aplicado desde a fase inicial da prática desportiva, pois a execução errada do gesto desportivo é uma das causas frequentes de lesões, uma vez que, as atividades executadas com postura inadequada podem sobrecarregar as articulações causando dores, problemas posturais, e consequentemente perda de rendimento e lesões com maior gravidade.


Lesões Reincidentes


O maior objetivo da reabilitação de lesões é a máxima restauração da função para determinada área anatómica ou para uma atividade atlética desportiva. A importância da recuperação pós- traumática adequada em atletas na prevenção de novas ocorrências é determinante no grau de sucesso futuro.


A maior parte das lesões são recuperáveis e passado algum tempo os atletas podem voltar à prática desportiva normal e às vezes ainda mais fortes, mas não podemos deixar de referir que o corpo tem memória e que uma estrutura uma vez lesionada já nunca mais voltará a ser mesma. E como tal, temos de ter um cuidado acrescido com tal articulação ou estrutura.


O atleta deve conhecer o seu corpo e saber os seus aspetos mais fracos, que necessitam de ser trabalhados e reforçados para evitar nova lesão. Dessa forma, o tratamento/reabilitação/recuperação da lesão ocorrida não termina no dia da alta, trata-se de um trabalho e cuidado constante e contínuo por parte do atleta que deve seguir um conjunto de exercícios específicos para evitar as tais lesões reincidentes.


Fatores responsáveis pela reincidência de lesões:


  1. Desrespeito do tempo de afastamento das atividades físicas aconselhado pelos profissionais de saúde;

  2. Na primeira ocorrência de determinada lesão não procurou tratamento;

  3. Não fez fisioterapia / tratamento;

  4. Não fez reforço muscular (musculação)recomendada pelo Fisioterapeuta;

  5. Não utilização assídua da proteção recomendada (estabilizador, ligadura funcional, joelheira...) no local da lesão;

  6. Continuar a prática do treino mesmo percebendo sinais de dor.


Com isto, e com toda a nossa experiência no campo, concluímos que a retoma antecipada aos treinos após a primeira ocorrência da lesão, é o maior motivo da reincidência. Decisão essa muitas vezes tomada por irresponsabilidade do próprio atleta. Sublinhamos assim a necessidade do cuidado e colaboração dos atletas na fase de recuperação com o objetivo de evitar a reincidência das lesões viabilizando um melhor desempenho.


Tempo de paragem e psicologia da lesão Não podemos esquecer que um dos aspetos mais relevantes da intervenção do fisioterapeuta está intimamente ligado com a necessidade da redução do tempo de paragem dos atletas, face às lesões que estes desenvolvem durante a prática desportiva.


A lesão é um risco necessariamente inerente ao treino desportivo. Em parte, o tornar-se um grande basquetebolista está na atitude que se tem perante uma lesão através da reabilitação psicológica. Responder aos estímulos dos técnicos de reabilitação, mostrando-se empenhado e motivado, é necessário. Mas também é importante desenvolver a resistência em jogar com dores e aguentá-las e saber quando parar, descansar e receber tratamento. Esta capacidade deve ser considerada igualmente importante!

Autora: Fisioterapeuta Telma Fernandes - GFD Fisioterapia e Osteopatia

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